Mercado
Mercado imobiliário de São Paulo: o que os dados mostram para quem quer comprar
O que os números do Secovi-SP revelam sobre lançamentos, estoque e o peso do segmento econômico — e o que isso muda para quem está procurando o primeiro imóvel.

Quem está procurando apartamento em São Paulo costuma decidir no escuro, guiado por opinião de conhecido ou por manchete solta. Mas o mercado paulistano é um dos mais monitorados do país, e os números contam uma história bem específica sobre o momento atual.
O mercado desacelerou nas vendas — e isso favorece quem compra
Segundo a Pesquisa Mensal do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, em junho de 2026 a cidade de São Paulo registrou 9,3 mil unidades vendidas, uma queda de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os lançamentos somaram 12,6 mil unidades, 7% a menos.
O dado mais relevante, porém, é o estoque: subiu para 9,6 meses de venda, contra 6,8 meses um ano antes. Em linguagem simples, isso significa que há mais imóvel disponível e ele demora mais para ser vendido.
Para quem compra, mais estoque costuma significar mais espaço de negociação e menos pressão para decidir na hora. É um momento em que vale visitar mais de um empreendimento antes de fechar.
O segmento econômico virou o mercado paulistano
Aqui está o número que muda a leitura de tudo: no mesmo levantamento, os lançamentos do segmento econômico — a faixa atendida pelo Minha Casa Minha Vida — chegaram a 10,2 mil unidades, alta de 21%, e representaram 81% de todos os lançamentos da cidade.
Nas vendas, o padrão se repete: cerca de 7 mil unidades por mês, ou 75% de tudo o que foi vendido em São Paulo.
Não é um detalhe de nicho. O mercado imobiliário da cidade hoje é, em sua maior parte, o segmento econômico. Isso explica por que tanta construtora grande redirecionou seus lançamentos para essa faixa — e por que quem se enquadra no programa encontra mais opção, em mais bairros, do que encontrava há alguns anos.
O médio e alto padrão vive o oposto
Enquanto o econômico acelera, o segmento médio e alto acumulou estoque de 12,9 meses, contra 8,2 meses um ano antes, com vendas em 12 meses caindo 21%.
Vale saber disso por um motivo prático: quando você lê uma manchete dizendo que o mercado imobiliário está fraco, ela quase sempre está descrevendo esse segmento. A realidade de quem procura um apartamento de 1 ou 2 dormitórios é diferente da realidade de quem procura um de 150 m².
O que isso significa na prática
- Mais oferta na sua faixa. Com 81% dos lançamentos concentrados no econômico, dá para comparar empreendimentos em vez de aceitar o primeiro.
- Menos pressa artificial. Estoque em 9,6 meses reduz o clima de ‘última unidade’. Use isso a seu favor e visite com calma.
- Compare região, não só preço. Com muitos lançamentos simultâneos, a diferença real entre duas opções costuma estar em mobilidade e infraestrutura do entorno, não na tabela.
- Os números são da cidade, não do seu caso. Estatística de mercado orienta a estratégia; o que define a sua compra é a análise de crédito.
Em resumo
São Paulo está lançando muito e vendendo um pouco menos — e a maior parte disso acontece exatamente na faixa de quem está comprando o primeiro imóvel. É um momento de escolher com calma, comparando localização e condição, em vez de correr atrás de uma unidade específica.
Fontes consultadas
Dados referentes a junho de 2026, divulgados pelo Secovi-SP. Números de mercado mudam mensalmente.
Antes de decidir
Conteúdo informativo, baseado em dados públicos de mercado. Números mudam a cada divulgação e não representam garantia de condição comercial. Para orientação sobre o seu caso, fale com a EAIMAN.
